Uma hora eu planejo meu futuro e outra o meu suicídio.
Vivendo na corda bamba. (08.11.18
“Por você eu perdi a coragem de fazer cortes em meu corpo . Por você e por mais ninguém .”— -Pequena-Garota-Sonhadora (via depressivelonely1)
É estranho, faz tempo que não tenho uma recaída como essa. Me sinto sufocada, como se a corda já estivesse no meu pescoço, me sinto destruída, incapaz e derrotada. Aquelas vozes que me atormentaram durante anos voltaram para minha cabeça, e agora eu posso ouvir nitidamente o que elas me dizem, elas insistem que vai ficar tudo bem se eu fizer um corte, essa história de cortes novamente, tudo bem. Estou em um escuro, com a velha lâmina em mãos, já não tenho espaço no braço esquerdo, e sei que não aguento mais nenhum corte, estou esgotada, cansada de ter que lidar sozinha sempre com tanta dor e ainda mostrar por ai que está tudo bem. Acho que nunca vou ser aquela garota que superou a depressão, aquela que tatuou várias frases de superação e foi considerada uma vencedora, não só pelos outros ao seu redor, mas por si mesma, que é o mais importante. Eu nunca vou ser. Eu sinto tanto por não aguentar mais, eu sinto tanto por aceitar a minha fraqueza e desistir de transforma-lá em força, eu sinto muito, por cada sonho meu que ficará jogado por ai e desapareceram um dia como se eu nunca tivesse existido, eu sinto muito por quem eu queria ser, por quem eu deveria ser, Mas o que mais me doi, o que me faz sentir mais do que muito é ter a certeza de que eu não queria ter nascido, é acordar todos os dias e me odiar por isso, eu sinto muito por eu ter perdido a esperança e a fé em mim mesma.
Eu sei muito bem como é acordar decepcionado por estar vivo por mais um dia, eu sei muito bem como é não querer ter nascido, e não ter coragem para acabar com tudo, eu sei como é ter que se entupir de remédios para dormir ou para se manter lerdo ao ponto de não conseguir fazer nem mesmo um leve corte. Eu sei, eu passo por isso a anos, a anos que eu não sei o que é sair e me divertir de fato, sem me lembrar de todos os meus problemas ou sem ser atormentada por todas aquelas vozes na minha cabeça que insistem que eu deveria desistir. Na verdade eu já estou morta, eu já estou sem esperança de dias melhores, eu já estou descrente.
Todos os dias sorrindo por aí como se a vida fosse uma bela dádiva, dando suporte a quem se encontra na mesma e cavando cada vez mais o poço onde estou caída a 12 anos.
Eu só queria o fim desse tormento, eu só queria não ver tantas marcas em meu braço, eu só queria ser forte e acreditar que uma hora esse jogo vai virar.
Mas eu estou fadada ao sofrimento, e eu não quero mais viver.










